Alimentação: maneio de pratos em produção avícola

Alimentação: maneio de pratos em produção avícola

O sucesso da produção avícola assenta na perfeita conjunção entre a genética, o maneio, infraestruturas e a alimentação. Quando abordamos o tema da alimentação, a tendência natural é focar-nos na sua composição e apresentação física, no entanto não podemos esquecer a forma como esta é disponibilizada às aves nem os comportamentos alimentares que daí resultam. Uma vez que a alimentação não é toda igual e para evitarmos situações de ineficiência alimentar ou escolhas, torna-se imprescindível um bom maneio de pratos.

Porque fazer?

Biologicamente, as aves, enquanto omnívoras com forte tendência granívora, apresentam uma preferência inata por partículas de maiores dimensões, preterindo as partículas mais finas. Em situações de alimentação ad libitum haverá uma predileção por partículas alimentares mais estruturadas como o trigo inteiro, o milho partido ou os granulados. Esta preferência verifica-se em todas as idades e deve ser considerada na gestão diária do comedouro.

As rações administradas aos bandos apresentam sempre uma percentagem de finos associada. No caso das rações granuladas e consoante a sua qualidade final, podemos estar a falar de valores na casa dos 10–15%. Já nas farinhas, dado ser uma mistura simples de várias matérias-primas moídas sem qualquer tipo de agregação, a componente fina pode atingir valores percentuais mais elevados. Neste tipo de apresentação, os bagaços (proteína), vitaminas, minerais, sal e enzimas são componentes finos que podem atingir valores na casa dos 30%.

A segregação de partículas ocorre sobretudo quando existe uma grande diferença entre tamanhos, forma ou densidade, e o alimento é agitado durante o transporte e/ou enchimento dos silos e na distribuição ao longo do pavilhão. A desagregação e produção de partículas mais finas começa, assim, antes de a ração chegar ao prato. A interação entre o comportamento alimentar seletivo das aves e as características físicas do alimento pode potenciar o desperdício e, em última análise, causar carências nutricionais e heterogeneidade. Torna-se, por isso, imperativo estabelecer um correto maneio de prato, evitando a acumulação de partículas finas no fundo dos comedouros.


Quais os impactos?

Um comedouro que revele uma acumulação elevada de partículas finas aumenta a probabilidade de:

  • Escolha alimentar e hábitos comportamentais alimentares desviantes,
  • Desperdício de alimento,
  • Nutrientes/aditivos essenciais não consumidos (ex. coccidiostático, cálcio, lisina, vitaminas),
  • Incremento da heterogeneidade do bando,
  • Problemas de saúde digestiva: má motilidade intestinal, proventrículo aumentado, má reabsorção de água e electrólitos e maior suscetibilidade a agentes patogénicos entéricos,
  • Perda de performance do bando, com aumento do índice de conversão e consequente perda económica.

Exemplo Prático — Impacto

Num bando com 35 000 aves que consome cerca de 1 kg de ração entre os 21 e os 28 dias, teremos um consumo global de 35 toneladas. Se considerarmos que um granulado de boa qualidade tem cerca de 10% de partículas finas, estamos a falar num potencial de 3 500 kg de alimento não aproveitado de forma eficiente. Nas farinhas e migalhas, e tendo em conta que as partículas finas contêm os aminoácidos sintéticos, o fósforo, as vitaminas e os minerais, os valores de ineficiência nutricional serão consideravelmente mais elevados.

Como identificar?

A ausência de um bom maneio de pratos é fácil de identificar. A visualização de pratos preenchidos até à sua borda superior com partículas finas e poucos granulados ou partículas grosseiras é sinal claro de que algo não está a ser bem regulado. Basta imaginar um prato aberto nos primeiros dias de idade contendo migalha até à borda superior para facilitar o acesso alimentar aos pintos. Em vez da migalha, teremos apenas partículas finas.

Se nada for feito, as aves estarão sempre a tentar selecionar partículas mais grosseiras, empurrando as partículas finas para fora do prato. Este seria o pior cenário possível. Na prática, haverá sempre níveis intermédios que requerem atenção e monitorização regular.

Como fazer?

O maneio de pratos não é uma ciência exata, depende de diversas variáveis. Fatores como o tipo de comedouro, a idade e o estado sanitário das aves, o comprimento das linhas, o tipo de apresentação física da ração e a densidade de aves no pavilhão podem influenciar o tipo de maneio a aplicar.

Aquando da aplicação de um procedimento de maneio de pratos, os bandos devem ser acompanhados para perceber quanto tempo levam a consumir os finos. A aplicação de uma ou duas horas de fecho de linhas será uma opção a decidir pelo técnico assistente e/ou pelo detentor da exploração. Dependendo da idade e do estado geral do bando este horário de maneio sugerido poderá variar, devendo ser garantido que os pratos não ficam totalmente vazios, uma vez que esta situação vai aumentar o stress das aves e potenciar agressões, entre as aves, na ânsia de chegar ao comedouro.

Exemplo prático? 

Pavilhão com 35 000 aves, 120 metros de comprimento, 4 linhas de ração ajustadas à altura das aves, pratos Roxell.

Ração: Lusi 1 migalha / Idade: 14 dias

Opção Conservadora
Procedimento:

(acumulação ligeira)

Manhã: 1 hora de fecho — 09h00 às 10h00

Tarde: 1 hora de fecho — 14h00 às 15h00

Opção Agressiva
Procedimento:

(acumulação excessiva)

Manhã: 2h de fecho + 1h abastecimento + 2h de fecho

Horário: 09h00–11h00 e 12h00–14h00

Figura 1- Exemplo de mau maneio de pratos - Bando com 25 dias, pratos assentes no piso e sem fecho de linhas

A não esquecer: maneio de pratos na 1º semana de vida e ajuste da altura das linhas!!

Figura 2 - Exemplo de mau maneio de pratos - Prato sem ajuste de altura contaminado com material de cama

Maneio pratos na 1º semana de vida

Na primeira semana de vida é essencial que as aves tenham acesso facilitado aos comedouros. A maioria dos pratos utilizados na avicultura moderna possuem uma gaveta de primeira idade, que permite abastecer a totalidade do prato. Desta forma, as aves não têm necessidade de entrar para o prato e conspurcar o mesmo com material fecal e material de cama. 

Esta gaveta de primeira idade deve ser encerrada, através da subida das linhas, por volta dos 7 dias de idade, dependendo sempre da performance do bando (peso e heterogeneidade) e do tipo de prato instalado na exploração.


Ajuste da altura das linhas 

O maneio dos comedouros não se esgota no controlo dos finos nos pratos, a altura a que as linhas se encontram em relação às aves é igualmente determinante para minimizar o desperdício alimentar e garantir o bem-estar do bando. Uma gestão correta dos comedouros é fundamental para otimizar a saúde, a produtividade e o bem-estar das aves ao longo de todo o ciclo de produção.

Um prato posicionado demasiado baixo convida as aves a entrar dentro dele, contaminando o alimento com fezes e provocando derrame por ação das patas e do bico. Um prato demasiado alto torna o acesso difícil, especialmente para as aves mais pequenas do bando, contribuindo para a heterogeneidade do bando.

A regra prática amplamente aceite é que o bordo do prato deve ficar ao nível do dorso da ave (ou ligeiramente acima), sendo responsabilidade do técnico avícola ter especial cuidado com este parâmetro de acordo com a homogeneidade do bando. À medida que as aves crescem, as linhas devem ser elevadas de forma gradual e contínua. Adicionalmente, a correta subida das linhas nas fases finais de vida do lote permite aumentar a área de descanso disponível para as aves.

Artigos Relacionados
Alimentação: maneio de pratos em produção avícola
O correto maneio dos pratos reduz o desperdício de ração e melhora a conversão alimentar.
Saiba mais
A Nova era do Leitão
A fase inicial de vida do leitão é determinante para todo o seu percurso produtivo.
Saiba mais
Healthcare Technology Advancements in 2023
How technology is revolutionizing healthcare.
Saiba mais